sexta-feira, abril 08, 2011

Over the Rain

Ela estava na janela, enquanto observava a chuva que aos poucos começava a cair, lavando as folhas secas que o outono trouxera. A cidade nunca havia parecido tão silenciosa, e ela nunca se sentira tão sozinha.
Enfadada daquela atividade, ela saltou da sacada e foi ao seu segundo lugar preferido naquela casa: a cozinha. Ana procurava um Donut, enquanto ouvia Félix miando ao longe; deveria estar com fome, também. A menina já ia levando o alimento ao seu pequeno companheiro, quando vislumbrou-se no espelho do corredor. Não estava nada atraente. Seu rosto ainda estava amarrotado, pela noite mal dormida. Trovões sempre a assustaram; a luminosidade fraca, não favorecia seus cabelos castanhos, que ganhavam um tom opaco, como aqueles que não se lava há tempos. Olhou-se novamente, e riu. Gostava da forma como as luzes do móbile da janela brincavam, dançando em seu rosto, no ritmo do vento.
Félix miou outra vez. Estava realmente com fome. Ana então, findou o que fazia, cessando qualquer indício de pensamento que ousava se iniciar. Concentrou-se em Félix. A chuva já se cansava de cair, e produzia um som quase inaudível, ao bater na rua de asfalto daquela cidade enorme e silenciosa.
A menina, então, alimentou devidamente o seu amigo, afagando-lhe a face; recebeu uma ronronada como resposta. Preguiçosamente, tomou o pequeno angorá, preto e branco, nos braços, voltando à primeira posição do dia: estava deitada, fitando, incansávelmente, o teto do quarto, que servia de cenário para aqueles antigos pensamentos, que insistiam em renascer.

Saudade

E pode ser que a saudade seja essa coisa louca de se ter. Mas me disponho a sentir e a passar por qualquer e toda complicação que me permita te fazer parte da minha vida.

quarta-feira, março 30, 2011

Nostálgico

Seria impossível eu não sentir a sua falta, a cada minuto, cada segundo, cada dia. A cada pensamento, a cada música, a cada noite. Noite. É quando me dói mais. É quando eu penso que era pra você estar ali, comigo, com seu corpo bem juntinho e a respiração no meu pescoço. É quando eu penso que a gente deveria ter durado. A gente tinha que ter durado. A gente se perdeu. Sabe, como quando se perde alguma coisa nova. Porque a gente era novo pra gente. O que a gente tinha, era novo. O que a gente era, era novo. O que a gente seria, era mais novo ainda. Mas não fomos. Só sei que fomos tudo o que poderíamos ser, até aquela hora. Não perdemos nada, não faltou nada. Não faltou amor. Não. Amor não. Amor a gente tinha (tem) de sobra. Amor a gente não precisava inventar. Amor. A gente era isso. Nada mais, nada menos. Éramos amor, e deveríamos ser amor. Agora, nós somos distância. Saudade. Vontade. Qualquer um que não tenha o que a gente teve, não saberia explicar porque acabou. Acabou. Como quando você termina de comer o seu último pedaço de chocolate. Acabou. Voou. Virou estrela. Virou vento. Virou nada. Nada, não. Virou lembrança. Virou coisa que fica guardada à sete chaves, na gaveta do porão da casa da sua avó. Mas virou. Virou alegria. Porque tristeza, a gente não tinha. Não. Nada poderia virar tristeza. A gente era feliz. E quem é feliz, não vira tristeza. Quem é feliz, vira sorriso. Nostalgia, no máximo. Mas nunca tristeza. Tristeza é pra quem não teve amor, e isso a gente teve. E muito.

terça-feira, março 15, 2011

Quaseamar

Um pouco como se você se sentisse vazio. Entende? É quase como se você tivesse perdido alguma coisa. Não, eu não perdi. Aliás, ultimamente tenho ganhado muitas coisas. Ganhei um colar e boas notas. Ganhei alguém com quem me preocupar. Ganhei sorrisos e até uns quilos a mais. Ah, talvez seja isso que mate qualquer mulher. Ou talvez seja a falta de amor. Mas, o amor não está tão longe, não é? Complicado distinguir, mas muita coisa, hoje em dia, é amor. Ou quase amor. Quase amor? Não sei. Não dá pra ser quase legal, ou quase chato. Não dá pra ''quase amar''. Talvez se eu inventasse um verbo: eu quaseamo. Quaseamo o menino mais engraçado da minha sala, que vira e mexe ataca de repentista. Quaseamo aquele bolo de chocolate da minha avó, que só não amo porque me engorda. Quaseamo aquela blusa velha, que não sai da minha gaveta de pijama por nada. Quaseamo tanta coisa. Quaseamo o modo como o meu coração salta quando ele está perto de mim. Quaseamo aquele frio que dá na barriga quando ele ri pra mim. Quaseamo aquela sensação que treme o corpo todo quando eu recebo uma mensagem, que eu quaseamaria se fosse dele. E eu quase amo mais ainda, essa capacidade de fugir totalmente de algo. Não, não quaseamo isso. Mas seria como se minha mente sempre fugisse daquilo que eu teimo em buscar. Que, na verdade, eu não ando teimando muito. Não. Eu não tenho procurado muitas coisas para ''quaseamar''. Eu já quaseamo tudo o que eu quero. Eu estou quaseamando alguma coisa, que é linda demais para não-quaseamar. Talvez eu quaseame essa sensação que sempre me dá quando eu escrevo, que somente eu estou entendendo. Essa sensação de que, só se você estivesse na minha mente, agora - mas não nos meus pensamentos, na minha mente mesmo. Dentro dela. Vasculhando e remexendo tudo - que você entenderia qualquer coisa que eu tentei escrever. Quaseodeio ter que ir fazer o meu dever agora.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

To be or not to be?

É esse meu medo de decepcionar, de não suprir as expectativas. Eu me basto, é claro. Mas parece que isso não é o suficiente. Os outros sempre esperam mais de mim. Eu não muito mais pra dar, a não ser o que eu sou, no meu íntimo. Tranparência e nada mais. Não vou fingir ser o que eu não sou, só para agradar uma sociedade, ou meus pais. Meus pais, principalmente. Alguém já parou pra pensar, o quanto dói perceber que seus pais esperavam que você fosse algo que não é? Dói mais do que dor de amor. Porque é dor de culpa. Dor de falha. Você sente que falhou consigo mesma, afinal, eles são parte de você. Você sente que não valhe mais tanta coisa, porque você não consegue ser, o qe esperam que você seja. Deveria ser errado, você querer ser, o que não é. Eu não quero. Mas é mais fácil mudar o que eu sou, do que tentar explicar a concepção desse mundo louco que é o meu interior. Ninguém entenderia, afinal, ninguém, a não ser eu, sente tudo isso. Uma mistura louca de sentimentos, que me faz confusa e incerta, sem saber qual caminho seguir. Autoconfiança, deveria vir embalado, desde que você nasceu, e você iria pegando, aos poucos, a medida que fosse precisando dela. Eu já teria acabado com o meu pote.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Azedume

Já não sentia mais nada. Talvez apenas o gosto amargo da derrota que lhe insistia em tomar os lábios. Buscava desesperadamente alguma opção que lhe permitisse pensar, sem azedume, em qualquer forma de se definir. Sua mente andara vazia, insípida; e ele sempre se perdia, em meio a tantas formas de se ver. O espelho não era fiel quando retratava, de certa forma, o rosto pálido, as feições ossudas e o olhar turvo, que se perdera no meio da noite. Ele não sorria, sem ao menos se preocupar com as luzes que lhe eram refletidas nos olhos. Estreitava-os. Tentava, sem sucesso, enxergar além daquela projeção. Findou-se. De cansaço, desistiu. Deu-se as costas e saiu, ignorando completamente a pseudo-imagem que lhe era imposta. Não se importava. Iria para um pseudo-lugar, procuraria um pseudo-amante e viveria a sua pseudo-vida. Sobrevivendo, certamente, um dia após o outro.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Blind Mind

Eu acho que tenho um pouco de medo de encarar, de fato, o mundo em que vivemos. É como muita gente diz, - e estão certos - não quero enxergar. Não quero acreditar que o ser humano é cruel e insensível. Não. Eu não quero um mundo assim, então, eu me cego para esses fatos, que confirmam a nossa decadência.