Eu queria conseguir te escrever uma coisa realmente bonita, que qualquer um que lesse ia querer que tivesse sido escrita pra ele. Acontece que minha cabeça se encontra ausente de ideias. Se foram. Talvez nunca estiveram lá. Engraçado essa coisa de amor. Acabou qualquer coisa que não me lembre você. Minha mente agora é você. Meu corpo é você. Minha alma é você. Minhas ideias são você. Acho que por isso não consigo te escrever uma carta de amor.. Quando penso em amor, só penso em você. Poderia escrever setenta linhas de você. Você. Apenas você. Eu sei, eu já te disse, eu queria poder te colocar em uma bolha e te trancar só pra mim. Egoísta, eu sei. Mas isso é amor. E eu sei, porque sei-o bem. Desculpa, mas não. Não quero te dividir com o mundo. Não me importo se eles estiverem perdendo a pessoa mais linda do mundo. Ela está comigo. Na minha bolha. No meu mundo. E toda noite, ou dia, ou tarde, ou manhã, eu procuro incessatemente pela certeza de que a gente nunca vai se perder. Não. Não podemos. Perder você, significaria me perder. Me perder como pessoa. Me perder como humana. Me perder como alma. Agora é a sua alma, sendo a minha calma.
sexta-feira, maio 11, 2012
sábado, março 17, 2012
Monólogo de dois
E então me perguntaram: "como é o amor?".. E eu respondi: "ele tem os olhos mais lindos que eu já vi". Entende quando eu digo "amor", certo? Sim, entendo e repito, ele tem os olhos mais lindos que eu já vi; e ainda acrescento, o sorriso não fica muito atrás. Mas é amor. Amor não se vê. Ah, mas é amor. Amor se vê, se sente, se cheira. Cheira? Sim. É amor. O que é amor, afinal? É o que eu sinto quando penso nele. Nele? Nele quem? No amor? Sim. No amor. E como ele é? Eu já disse.. os olhos, lembra? Sim. E como você sabe que é amor? Ah.. Você sabe. Você sabe porque seu coração te diz, entende? Diz? Diz! E como diz? Ele diz. Ele grita toda vez que você vê ele. Grita? Sim. Ele quase sai correndo do seu peito e vai lá, abraçar o coração dele. Deve doer. Dói. Às vezes dói muito até. Mas sabe o que doeria mais? Não ter outro coração pra abraçar. Mas um dia ele vai embora, certo? Quer dizer.. Ele não pode ficar pra sempre! Amor não é eterno? Eterno? É, terno. E como você sabe que é amor e que ele é terno? É amor porque ele tem os olhos mais bonitos que eu já vi. E é terno, porque é eterno. E quando tiver que ir embora? Então vai. E você fica? Quem, eu? É, você. Fica sozinha? Não.. Eu peço pra ir junto. E se não der? Eu vou mesmo assim.
domingo, julho 24, 2011
Bloqueio de Escritor
Parei de escrever. Mas não por não ter mais vontade; apenas por não sentir necessidade. Não preciso mais de cutucar nada. Não quero reviver nada. Não sinto aquela ânsia louca de fazer sangrar. Às vezes viro um daqueles "escritores que não escrevem"; Me vem uma ideia, que nunca é realizada. Fica lá, bem quietinha. E agora, ela resolveu se revelar. Me veio como aquela vontade insana que você tem de comer chocolate no sábado antes da páscoa. Me veio, meio louca, meio sozinha, meio indecisa. Sim, indecisa. Talvez parte dessa indecisão seja minha. Talvez por eu não conseguir encontrar as palavras certas. Desespero. Meus textos nunca fizeram sentido, mas agora, sem as palavras... Desespero. Falta de prática, talvez. Me pergunto agora: por que parei? Eu gostava disso. Desse mundo individual. Desse pequeno pedacinho utópico que me ocorria toda vez que eu vinha trazer algo de mim. Talvez falte insipiração. Talvez eu sinta falta daquela ferida antiga que eu insistia em fazer arder. Ardia. E porque ardia, vivia. Vivia a vontade de inventar um final feliz. Mas e agora? E agora que eu já tenho o meu final feliz? Quem sabe por quanto tempo eu ficarei assim, perdida nas palavras? Desesperada, buscando algum significado novo, alguma expressão, alguma coisa que me motive a criar de novo esse universo utópico, em que meus finais não eram tão finais. Mas e enquanto eu quiser me manter aqui, sentada, quieta, no meu mundo real, será que as palavras continuarão a brigar comigo? Talvez eu deva pedir uma trégua. Talvez eu deva mostrá-las que a realidade não é assim tão ruim. Quem sabe elas sentem vontade de falar sobre algo que não seja idealizado, sobre algo que ainda esteja para acontecer e que elas não tenham controle nenhum, repito, nenhum, sobre o final. Acabou de me ocorrer, que talvez essas palavras sejam um pouco egoístas. Talvez elas estejam assim, fugindo de mim, por simplesmente não aceitarem que elas não tenham controle sobre o que está pra acontecer. Porque mesmo que eu não as contasse, elas, secretamente, sabiam o que era o final. E agora, que eu não quero que esse final chegue, elas estão assim, protestando desesperadamente contra mim, sem sequer aceitarem um desafio. Mas quer saber? Desafiá-las-ei, pois necessito de mostrar à elas - e a quem mais quiser ver - que a realidade pode não ser a melhor das utopias, mas ela é, sim, algo pelo que se vale a pena morrer.
sábado, maio 21, 2011
Green
E às vezes eu penso "por que eu?". Com tantas outras opções, por que eu? Mas aí, me vem na memória o jeito que a gente se olha. O jeito que a gente brinca no meio dos seus amigos e eles ficam nos olhando com aquela cara de "que porra cês tão fazendo?". Aí, eu lembro daquele ponto fraco que você tem, que me dá vontade de ficar mordendo pra sempre, só pra ficar escutando sua respiração ficando cada vez mais rápida. Aí eu lembro de como a gente pensa tão igual, às vezes. De como a gente pergunta "o que foi?", mesmo sabendo que não é nada. De como a gente se xinga. E eu lembro de quando eu fico fazendo manha e você vem todo lindo, me abraçando e me amolecendo. E aí, eu penso que se não fosse eu, quem seria? Com quem você ia ter as nossas piadas internas? Quem ia fazer competiçõezinhas bestas com você? Será que alguém ia amar te fazer cócegas, do mesmo jeito que eu amo? Eu só acho que a gente é bom junto. E eu gosto disso. Eu gosto de ficar com você. E eu gosto das suas cantadas idiotas. E eu gosto, muito, de ficar rindo de nada. De passar o tempo com você e com aquele povo todo que sempre tá junto. Porque eles são parte de você. E qualquer coisa que seja parte de você, tem alguma importância pra mim. Porque é bem simples. Eu gosto de você. Eu gosto de saber de você. Eu gosto do que tem a ver com você. Eu gosto de você.
sexta-feira, abril 15, 2011
O pior.
E eu pensava que o pior sentimento era ter raiva de alguém. Não. O pior é ter raiva de si mesmo. É não conseguir corresponder ao que você (pensa que) é. É pior você vê que tem uma concepção de vida pronta, na sua cabeça, que é a ideal para você, mas que, na prática, você não é. Não. Você chega a ser quase hipócrita, quando fala o que pensa. Porque você não corresponde com isso. Você é totalmente avesso ao que você pensa que é. O pior é isso. O pior, é pensar que você é uma coisa, e aos poucos, ir percebendo que você não. O pior, é você querer ser de um jeito, e perceber que você não consegue. O pior, é a raiva que isso trás. É a vontade de dormir e só acordar quando você tiver mudado. É a vontade de chorar e só parar quando você descobrir porquê você é assim. Por quê? O pior é a sensação de que você não é nada, que fica no peito. Porque, se você não é o que você pensa que é, o que você é, afinal? Um tanto de ideias erradas, que se perdem no meio de outras concepções (falsas) que você tem da vida. O pior, não é decepcionar só a você, mas quem você ama e (principalmente) quem te ama.
sexta-feira, abril 08, 2011
Over the Rain
Ela estava na janela, enquanto observava a chuva que aos poucos começava a cair, lavando as folhas secas que o outono trouxera. A cidade nunca havia parecido tão silenciosa, e ela nunca se sentira tão sozinha.
Enfadada daquela atividade, ela saltou da sacada e foi ao seu segundo lugar preferido naquela casa: a cozinha. Ana procurava um Donut, enquanto ouvia Félix miando ao longe; deveria estar com fome, também. A menina já ia levando o alimento ao seu pequeno companheiro, quando vislumbrou-se no espelho do corredor. Não estava nada atraente. Seu rosto ainda estava amarrotado, pela noite mal dormida. Trovões sempre a assustaram; a luminosidade fraca, não favorecia seus cabelos castanhos, que ganhavam um tom opaco, como aqueles que não se lava há tempos. Olhou-se novamente, e riu. Gostava da forma como as luzes do móbile da janela brincavam, dançando em seu rosto, no ritmo do vento.
Félix miou outra vez. Estava realmente com fome. Ana então, findou o que fazia, cessando qualquer indício de pensamento que ousava se iniciar. Concentrou-se em Félix. A chuva já se cansava de cair, e produzia um som quase inaudível, ao bater na rua de asfalto daquela cidade enorme e silenciosa.
A menina, então, alimentou devidamente o seu amigo, afagando-lhe a face; recebeu uma ronronada como resposta. Preguiçosamente, tomou o pequeno angorá, preto e branco, nos braços, voltando à primeira posição do dia: estava deitada, fitando, incansávelmente, o teto do quarto, que servia de cenário para aqueles antigos pensamentos, que insistiam em renascer.
Saudade
E pode ser que a saudade seja essa coisa louca de se ter. Mas me disponho a sentir e a passar por qualquer e toda complicação que me permita te fazer parte da minha vida.
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